29/07/2010

MEP Europa

Por uma Europa de rosto humano



comercioseixalsesimbraO «Comércio» esteve presente na conferência de imprensa de apresentação da candidata independente do Movimento esperança Portugal (MEP), Laurinda Alves, ao Parlamento europeu, na passada Terça-feira, 28 de Abril, no Seixal. Falou-se sobre os objectivos do partido e da candidatura, assim como das mais valias que este projecto poderá trazer para o contexto europeu.

Laurinda Alves tem um passado assente nos meios de comunicação, pois já praticou jornalismo para diversos órgãos de comunicação social e está a tentar transpor a sua experiência para a política, não como forma de transformar essa experiência em lucro financeiro, mas antes para promover a confiança dos cidadãos na política e nos políticos.

“Aquilo que estou a fazer na política é o que já praticava no jornalismo. um jornalismo de expressão cívica, de cidadania. Portanto, sinto que há uma lógica de continuidade e é por isso que eu também não me estranho como nova neste meio, como candidata independente pelo Movimento Esperança Portugal, que é um movimento de cidadãos, também eles independentes. Ninguém no MEP depende da política, ninguém no MEP cresceu nas juventudes partidárias, com tudo o que isso tem de virtude e também às vezes de vício. daí haver uma liberdade enorme para acrescentar uma lógica de confiança à política, porque eu acho que as pessoas reduzem os políticos à expressão mínima, em que são todos iguais e são todos iguais e são todos maus. Mas isto não é verdade, há bons e maus políticos, como há bons e maus advogados, ou bons e maus médicos. Só que a classe política, hoje em dia, está muito penalizada por alguns exemplos de maus políticos e más políticas, não só em Portugal, mas também em relação à Europa, porque esta acaba por ser uma espécie de escudo, mas ao mesmo tempo uma arma de arremesso, no sentido em que às vezes a Europa é a culpada dos nossos mal-estares, das nossas políticas desajustadas”, esclareceu a candidata.

Já mais especificamente sobre a sua candidatura, Laurinda Alves salientou a Europa está a ficar infestada com burocracias, promovendo o afastamento e o distanciamento dos cidadãos da mesma, sendo por isso necessário reforçar a expressão de cidadania no contexto Europeu e, a partir daí, lança-lo para o mundo, “próximo e distante”.

Assim, a candidata do MEP fez questão de sublinhar que “esta Europa, que para muitos é uma entidade abstracta, distante, às vezes castigadora no sentido normativo, outras vezes uma Europa que não nos ouve, ou não nos acolhe bem, porque as políticas são desajustadas, ou não fazem sentido, ou parece que não tivemos parte nas decisões. A Europa excessivamente burocratizada, onde se multiplicam as instituições e onde a dimensão humana fica por aprofundar é a Europa à qual nós queremos acrescentar valor, acrescentando uma voz de cidadania no Parlamento Europeu, que é o centro de decisão onde a nossa vida é decidida todos os dias e, centrando o nosso olhar nas origens, do projecto europeu.

Por um lado nós vemos uma multiplicação de instituições, mas por outro vemos que as pessoas estão também mais próximas.

A minha campanha tem como lema “uma Europa de Rosto Humano”, no sentido de ser fiel às origens, aos país fundadores e voltar a centrar o critério das políticas sociais, políticas, económicas e jurídicas no ser humano, focado no desenvolvimento humano sustentável, numa coesão social e territorial que tem de ser potenciada, porque só muito unidos é que nós conseguimos atravessar esta e outras crises e, finalmente, uma articulação cada vez maior com o mundo próximo e distante, com a certeza que a Europa não pode funcionar em circuito fechado, numa lógica eurocêntrica. Tem que estar aberta ao mundo. Temos de caminhar com uma voz mais forte e influente no mundo e isso só é possível se aprofundarmos a dimensão humana e tornarmo-nos mais coesos em termos de espaço geográfico, político e humano.”

Sobre a Turquia, Laurinda Alves considerou que seria “uma excelente notícia” a sua entrada para a união Europeia, porque seria a “certeza que os direitos humanos seriam acautelados. Até porque para entrar na U.E. é preciso cumprir as regras instauradas”, acrescentando que “seria também uma grande possibilidade de diálogo com o mundo islâmico, uma porta para o Oriente e mais uma possibilidade de pacificar uma zona de conflito”.

Não se evitou discutir a questão dos fundos europeus disponibilizados a Portugal e muitas vezes mal aproveitados ou devolvidos por não lhes ser dado o uso devido. Por isso, no contexto desta problemática, a candidata do MEP assume que tem de haver mais consciencialização cívica e de aproveitamento dos subsídios europeus, até porque Portugal está “há 23 anos de mão estendida”, sem contribuir nada para a U.E. e “há mais países a precisar, os países que vieram da cortina de ferro estão a precisar muito de ser acudidos, vieram de regimes com pouca liberdade, com pouca margem de escolha, com pouca tradição democrática”.

“Tenho percorrido o país todo e tenho visto projectos feitos por portugueses, inventados em Portugal, que recorreram a fundos europeus e que vão ser replicados na Europa. Isto dá-me imensa satisfação de ver, porque alguns fundos foram bem aplicados, mas depois também vejo a grande insatisfação que há entre os agricultores e pescadores, que sentem as políticas comuns, de agricultura e pescas, feitas contra eles não a pensar neles e desajustadas. Se calhar ajustadas aos pescadores espanhóis, aos agricultores franceses e alemães”, sustentou, acrescentando que “chegou a hora de começarmos a contribuir para u.E. e termos essa noção de contributo”.

Para a candidata, o projecto do modelo social europeu é algo que tem de reunir “esforços políticas e políticos empenhados” em criar estratégias para defender os cidadãos. Sendo que uma dessas estratégias passaria, do ponto de vista de Laurinda Alves, pela expressão da cidadania. É esta a mais valia que irá tentar levar para o Parlamento Europeu. “É o efeito que agora é mais facilmente perceptível depois da eleição do presidente dos Estados unidos da América, Barack Obama. O que é que ficou evidente na eleição de Obama? É que a mobilização dos cidadãos, o «juntos somos capazes» é a nossa certeza. Está nas mãos de todos nós o poder para contribuir para construir o bem comum”, defendeu.

A decisão sobre qual será o grupo parlamentar a escolhido está em aberto, devido às reestruturações do Parlamento Europeu. “Queremos atrasar ao máximo essa decisão, para não errarmos, para percebermos com clareza onde é que podemos ser eficazes”, concluiu.

Luís Mota, in O Comércio do Seixal e Sesimbra, 01-Maio-2009

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