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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

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Manifesto Razões de Esperança

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1. A política como missão

A política, na sua verdadeira acepção, representa uma missão de serviço ao bem comum, entendido este como sinónimo da realização plena de todos os Homens e do Homem todo, atendendo, em primeiro lugar, aos mais desfavorecidos. A política é, por isso, uma das mais nobres formas de luta pela justiça social.

Em Portugal é possível ter uma sociedade forte e coesa, se todos nos empenharmos no exercício da cidadania. A participação e co-responsabilidade na governação não admitem abstenções. Cada um, segundo a sua vocação e a sua disponibilidade, é chamado a dar o seu contributo e, entre os vários contributos possíveis, queremos destacar a participação política.  

O exercício da actividade política representa, neste contexto actual, um apelo ao serviço onde ele é mais difícil e mais urgente. Importa agir, sabendo que “melhor é possível”. Tentando, errando e melhorando somos capazes de ir mais longe.

Num tempo em que escasseia a disponibilidade, importa dizer: presente!  - Para levar esperança, onde cresce o desânimo; para construir confiança, onde existe a desconfiança; para persistir em vez de desistir.


2. O ideal e o pragmatismo na missão política

O Homem não pode viver sem Esperança.

Este olhar optimista é também realista. Soma razão à esperança e pragmatismo ao sonho. Não se situa exclusivamente no ideal, embora lhe reconheça um lugar neste processo. Sabe que para problemas complexos, não há soluções simplistas, nem perfeitas. Que o caminho se faz de pequenos passos. Que a ciência e a técnica acrescentam sempre valor à imaginação e ao voluntarismo. Que a inteligência colectiva é sempre mais eficaz que um brilho solitário.

A história tem exemplos significativos de políticos que protagonizaram esta visão. Schuman, Adenauer, De Gasperi e Monet, entre outros, foram líderes profundamente inspiradores e encorajam-nos a acreditar que, mesmo nos contextos mais difíceis, é possível servir a comunidade através da política. Inspirados pelos valores, podemos dar um contributo para a concretização de um mundo melhor. Também por isso, o projecto europeu, remontando à sua origem, será sempre um exemplo da proposta política humanista.

Importa ainda lembrar, entre outros políticos do nosso tempo, Nelson Mandela e a sua capacidade de reconciliar a sociedade sul-africana pós-apartheid, Mohammad Yunus e a sua obra notável em torno do micro-crédito como instrumento de libertação da pobreza, Aung Sang Suu Kyi  e a sua corajosa luta pela democracia na Birmânia. Também eles se constituem como referências.

3. Um novo movimento político em Portugal

Ao quadro político português falta um movimento humanista, no espaço político do Centro (porque há mais política para além da clivagem direita/esquerda) que assuma essa matriz sem complexos, nem hesitações. Que lhe seja fiel na inovação e que lhe dê vida para os nossos tempos. Que se defina de uma forma dinâmica e em permanente construção. Sem sobranceria, nem arrogância, demagogia ou dogmatismo.

Por tudo isto - e sobretudo para construir razões de esperança - surge o desafio de servir a causa do bem comum através do exercício da actividade política, com a criação de um novo movimento político no nosso país – o MOVIMENTO ESPERANÇA PORTUGAL (MEP).

O MEP será uma força para gerar esperança fundada, sendo também uma expressão de equilíbrio e bom-senso, com capacidade de construir pontes.
 

4. Os princípios

O MEP  funda-se nos princípios e valores do humanismo, actualizando-os para os desafios de Portugal no século XXI. Cultivará, assim, os referenciais do bem comum, da solidariedade social, da economia social de mercado, da subsidiariedade e da democracia.


5. As prioridades de acção política

Trabalharemos em sete grandes eixos de políticas:

eixos da matriz

I – Uma mesa com lugar para todos – a afirmação prática e concreta da coesão e da justiça social; da distribuição equilibrada dos recursos; da promoção da igualdade de oportunidades radicada no respeito pela dignidade de cada um; da inclusão de todas as gerações; da protecção e reintegração dos mais vulneráveis; do combate às discriminações; da promoção dos direitos humanos, bem como da assunção dos deveres inerentes, sempre e em toda a parte.

II – Uma sociedade de famílias – a afirmação da família, na sua diversidade, como unidade celular da sociedade para a solidez da qual concorrem políticas amigas em todos os sectores; do reforço na auto-determinação da educação dos filhos; da exigência da conciliação do trabalho com a vida familiar.

III – Uma cultura de pontes – a afirmação do diálogo como metodologia e das pontes como objectivo; da tolerância e do diálogo intercultural e inter-religioso, contextualizados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem; do respeito pelo Outro; da cultura de negociação para vitórias comuns; do compromisso perante as decisões acordadas; da construção e defesa de contratos sociais de médio-longo prazo que atravessem ciclos políticos e mobilizem os cidadãos.

IV – Um desenvolvimento humano sustentável -  a afirmação do desenvolvimento humano, de todos os seres humanos e do Homem todo; da valorização do trabalho e da acção humana, como contributo para o desenvolvimento individual e colectivo; da aposta na criatividade e na inovação para uma maior realização humana; da sustentabilidade através do bom uso dos recursos, da solidez das empresas e da ética dos negócios; da economia de mercado regulada para o serviço do bem comum; da valorização do empreendedorismo a todos os níveis; da libertação do potencial de cada pessoa para plena aplicação no interesse de todos.

V – Uma democracia mais próxima dos cidadãos – a afirmação da  subsidiariedade como base da governação da sociedade; das organizações da sociedade civil como actores principais; do reforço do poder e da responsabilidade do cidadão; da transparência dos processos e das decisões políticas; da cultura de participação e discussão política em todas as idades; da dignificação da política.

VI – Uma solidariedade intergeracional – a afirmação da responsabilidade de assegurar futuro às novas gerações, garantindo-lhes educação e formação adequadas, mas também protegendo os recursos do planeta e contrariando acções humanas tendentes ao desequilíbrio ecológico; da capacidade de sustentar o sistema de apoio na terceira idade; da valorização do envelhecimento activo e socialmente integrado; do reforço da cidadania sénior.

VII – Um mundo interdependente e solidário – a afirmação da importância de um comércio global mais justo; de uma verdadeira cooperação para o desenvolvimento focada no interesse dos mais pobres; do combate às redes transnacionais do crime; da viabilidade da mobilidade humana protegida com vantagens para todas as partes; de uma política externa actuante pela defesa dos direitos humanos e do direito dos povos à autodeterminação, à liberdade e à paz.


Esta é uma proposta ambiciosa. Mas vale a pena lutar por ela, em todas as suas frentes, porque acreditamos que “melhor é possível!”.

 

MANIFESTO RAZÕES DE ESPERANÇA (pdf para carregar)


 


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