
Mas há muito mais do que isso.
Toda a sessão de debate mostra o lamentável estado da nação política. A política de permanente ataque, quer do Primeiro Ministro, quer dos líderes da oposição, todos contra todos, numa agressividade quase sem limites, com tons e termos crescentemente violentos, indicia uma doença muito grave do sistema político. A política parece um terreno de guerra civil. Mesmo na casa da democracia, o exemplo que os deputados dão no seu comportamento indisciplinado, cheio de apartes muitas vezes inaceitáveis e quase sempre em estilo de "peixeirada" não dignifica a actividade política. Os políticos – do governo e da oposição - têm sido, muitas vezes, os coveiros da sua própria função. Como podem querer que os portugueses os respeitem?
A reforma da política exige uma outra cultura e uma outra atitude. Um foco nas propostas, na discussão objectiva focada no bem comum, intelectualmente honesta e feita pela positiva. Menos combate de boxe, mais capacidade de ver a verdade onde ela estiver, mesmo que seja na voz de um adversário politico. Exige-se mais capacidade de respeitar o outro e menos agressões verbais – por enquanto - sem sentido.
A politica portuguesa precisa urgentemente de uma renovação. Se assim não acontecer, em breve assistiremos a batalhas campais no parlamento, mas pior do que isso, a democracia correrá o risco de ruir definitivamente. Os portugueses estão zangados com a política e, como se vê, têm muitas razões para isso.
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